11.15.2009

Superpopulação

Gritam que o mundo está saturado de imagens, por isso que o artista contemporâneo deve abortar, deve se castrar, deve se retirar. O mundo não está saturado apenas de imagens, também está sobrecarregado de pessoas. Comparando, vemos que a resposta antiartísca é algo como “Não tenham filhos! O mundo já os tem demais, não vamos piorar o problema”.

Este “controle de natalidade” é uma estratégia fracassada sob qualquer ponto de vista. Se os homens mais conscientes se recusam a ter filhos, os conservadores não o farão. Muito pelo contrário, ampliarão sua influência devido à retirada da esquerda. “Ninguém mais faça arte, temos arte demais” – e é então que a indústria cultural ganha mais força, pois se prolifera sem qualquer força contrária em evidência. Nossos filhos, aqui, são as obras de arte, e um artista mais consciente deve, sim, visar uma perpetuação de seus valores, e para isso contará com filhos bem criados,tantos quanto puder sustentar, desde que haja alimento para crescerem fortes e contestadores.

Será com tais filhos, não pela renúncia, que se propagarão ideais de uma vida mais digna. Não perdemos o foco na saturação: a distribuição de anticoncepcionais para um controle populacional consciente nas regiões mais pobres faz parte, sem dúvida, dos planos. Não se trata de elitismo: um trabalhador pobre com família muito grande não prospera, apenas provê mão-de-obra barata, lúmpen que os poderosos explorarão. Tambem não queremos nada como o sistema chinês, a proibição impiedosa que acarreta em assassinatos no seio da família, mas condições de planejamento, visando qualidade de vida.

No comments: