3.13.2010

Mulher

     Mulher sangra pra virar moça

         Sangra ao conhecer homem

         Sangra desde o início da vida

         Sangra no último dia


          Mulher quer, mulher sente

          Sente-se de perna cruzada, minha filha.

           

           Mira o homem, parece forte

           Quer troco, se zanga, questiona

           Desliza, compete, quer braço

           Carinho ou atrito, amasso 

             
           Suporta no ventre o excesso da vida
           A natureza a violenta por dentro   
           No imo, por baixo, nas veias
           Ecoa as dores da criação.

       

3.03.2010

Jein no Arena Poesia

Jein é meu mais novo poema, que vocês conferem no Arena Poesia. O site é administrado por Pedro 
Andrade Jr, um cara muito simpático e com boas ideias. Quem quiser colaborar com o site, entre em contato com ele: pandrade66@hotmail.com A cada edição do Arena Poesia, há um tema novo. Jein, no caso, é uma palavra alemã que combina o sim e o não (ja e nein) para sugerir ambiguidade e imprecisão.

Vale a pena contar, rapidamente, como conheci o figura. No final do ano passado, estávamos eu e meu irmão na fila da Funhouse, e puxamos conversa com um grupo de amigos para matar o tempo. Nos divertimos comentando a transformação da casa ao lado da boate: antes era uma casa de fetiches (bondage, sadomasoquismo), agora é uma escola infantil. Nossa imaginação doentia logo visualizou crianças pedindo palmatória e professores brandindo o chicote. O uniforme, claro, era composto de peças de couro, e quem não batia no colega ficava de castigo.

Entre uma piada idiota e outra, descobri que o Pedro trabalha com cinema e escreve poesia. Trocamos e-mails e algumas dicas. Ele leu meu roteiro para longa-metragem e deu os melhores palpites que Poesia Dissonante já recebeu. E ainda me deu de presente o tema para um poema que não é dos meus piores. Rock, cinema, humor infame, poesia... Uma pena que não sou gay, eu ia me apaixonar por ele fácil fácil.