11.27.2009

Volta pra cadeia, Maluf - e leva o Tuma junto!

Cadeia não deveria servir pra punir crime famélico, mas pra conter arroubos fascistas.
Eu não sei nem como é que Maluf tá solto, como que ele faz o que quer e não perde o mandato, muito menos como é que ainda votam nele.
Ele rouba, mas faz é deprimente. Estupra mas não mata, é de embrulhar o estômago. Agora Maluf e o comparsa Tuma finalmente estão sendo acusados de envolvimento com os assassinatos da ditadura. Eles ajudaram a ocultar corpos em cemitérios da prefeitura.
Dois nazistinhas. Eles queriam mudar a lei para que se pudesse cremar indigentes sem autorização da família - ou seja, para fazer sumir corpos com maior facilidade.
O processo que está correndo contra eles é muito leve. Estão cobrando uma indenização, mas sequer perderiam o mandato, menos ainda iriam pra trás das grades.
Será que nunca vamos ver o momento de justiça poética, essa corja que tanto defendeu o regime autoritário mofando na jaula?

http://br.noticias.yahoo.com/s/26112009/25/politica-maluf-tuma-responderao-ocultar-mortos.html

11.19.2009

De como se desperdiça energia

A Lucila, minha "amiga colorida", detestou as fotos do palhaço. Disse que me prefere mil vezes homem do que palhaço. Ora, eu também, não pretendo me fantasiar todos os dias. Tinha mais, e ela até me pediu licença pra falar o que pensava. Achei que viria um sermão humilhante, mas quis ouvir. O que ela disse foi só que o feeling dela era de que se eu gastasse mais energia em arte, eu iria dar certo como artista plástico. Só isso? Sem piadinhas infames sobre meu nariz vermelho ou a mímica desengonçada? Fui contando pra ela de meus projetos artistícos em andamento, e de como eu jamais desisti de ganhar a vida com arte. Estou me matando em um livro de ensaios com desenhos, mas vou tocando junto com o que possa me render um troco. Então ela disse algo que é o oposto do que sempre me dizem. Que eu deveria colocar TODA minha energia na arte, e sentia que iria dar certo.

Seria mesmo uma maravilha, mas o que mais me zumbe na orelha é "como pagar as contas"? E minha pobreza deplorável? Eu tenho é conseguido pouco trabalho - minhas roupas estão se despedaçando e eu mal tenho comprado livros. A pobreza material é muito triste, mesmo que seu espírito esteja rico. No programa de TV, se é que vai mesmo vingar, ao menos faço o que sei fazer melhor, que é escrever (a palhaçada foi só pro piloto). O programa é de turismo, num formato que não é dos mais tradicionais, então pra mim está ótimo. Ganhar um troco como redator em uma equipe composta por grandes amigos meus e viajando em serviço - porra, é inspirador. Um trabalho desses me deixaria alegre, é claro, e não me atrapalharia tanto a continuar criando.

Admito, no entanto, que tenho gastado minha energia de maneira muito espalhada. Deve ser por isso que ando tão pobre. Quando você se concentra em uma direção só, basta um mínimo de talento pra fazer sua carreira. Mas como minhas raízes crescem na horizontal, não tenho um crescimento profissional tão linear. Infelizmente, quem se dá bem nesse mundo são os hiper-especialistas, aqueles que se dedicam a um assunto só. Mas nem namoro fixo eu tenho... Ou seja, não tenho o perfil do especialista, e se escrevo bem é por me interessar por um pouco de tudo, por fazer associações as mais diversas. Minhas sinapses colidem arte visual com literatura, filosofia com futebol, psicanálise com ciência, sem muitas barreiras. É por isso que acho mais é que todo intelectual deveria saber rir de si mesmo, com ou sem roupas bufantes. De que vale ler Deleuze e não aprender a rir de Kafka? Ou ler Nietzsche e rejeitar Dionísio, ler Lacan e insistir no semblante do saber? Se todas essas leituras culminarem numa gargalhada, aí sim, você terá aprendido algo.

No dia em que gravamos o piloto, com a cara pintada e trejeitos doidos, eu descobri ao menos uma coisa incrível. Descobri que posso me exprimir com o corpo muito melhor do que eu pensava. Mérito do Gabriel, que é um diretor excelente, mas se eu tivesse ficado com vergonha, talvez passasse a vida toda sem saber. É algo que pretendo explorar mais, quem sabe em leituras de poesia performáticas. Ainda não sei, é como um link a mais que eu tenho na mente, que eu vou acessar quando interessar.

Os jobs que desperdiçam sua energia são os das tarefas repetitivas, que não te trazem novos links. Às vezes, temos que encará-los por sobrevivência, nem sempre temos escolha. Pelo menos pra mim, além do desgaste dessas tarefas, tem um esforço extra, que é o gasto de energia pra não me desconcentrar, pra deixar de lado toda a poesia, todos meus projetos pessoais, arregaçar a manga e encarar a roubada. Acontece, às vezes, de isso ser mais difícil do que a tarefa em si. Já um trabalho onde há um bom consumo de energia é o que naturalmente te acrescenta - seja pelo ambiente, seja porque os desafios te instigam, seja porque a tarefa te satisfaz.

Vou encerrando, que amanhã começa uma semana meio puxada. Espero pra mim e pra vocês que o ganha-pão seja cada vez mais criativo, honesto e significativo, sem abusos e com conteúdo.

11.15.2009

Superpopulação

Gritam que o mundo está saturado de imagens, por isso que o artista contemporâneo deve abortar, deve se castrar, deve se retirar. O mundo não está saturado apenas de imagens, também está sobrecarregado de pessoas. Comparando, vemos que a resposta antiartísca é algo como “Não tenham filhos! O mundo já os tem demais, não vamos piorar o problema”.

Este “controle de natalidade” é uma estratégia fracassada sob qualquer ponto de vista. Se os homens mais conscientes se recusam a ter filhos, os conservadores não o farão. Muito pelo contrário, ampliarão sua influência devido à retirada da esquerda. “Ninguém mais faça arte, temos arte demais” – e é então que a indústria cultural ganha mais força, pois se prolifera sem qualquer força contrária em evidência. Nossos filhos, aqui, são as obras de arte, e um artista mais consciente deve, sim, visar uma perpetuação de seus valores, e para isso contará com filhos bem criados,tantos quanto puder sustentar, desde que haja alimento para crescerem fortes e contestadores.

Será com tais filhos, não pela renúncia, que se propagarão ideais de uma vida mais digna. Não perdemos o foco na saturação: a distribuição de anticoncepcionais para um controle populacional consciente nas regiões mais pobres faz parte, sem dúvida, dos planos. Não se trata de elitismo: um trabalhador pobre com família muito grande não prospera, apenas provê mão-de-obra barata, lúmpen que os poderosos explorarão. Tambem não queremos nada como o sistema chinês, a proibição impiedosa que acarreta em assassinatos no seio da família, mas condições de planejamento, visando qualidade de vida.