Showing posts with label Puro enquanto. Show all posts
Showing posts with label Puro enquanto. Show all posts

8.10.2009

Lançamento de Puro Enquanto!




Lançamento do romance Puro Enquanto no Espaço Barco Virgílio. Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, n° 426, São Paulo, a partir das 19h.


Amigos
Convido a todos para, no dia 13 de agosto, celebrarmos uma série de erros. O primeiro deles, claro, é a pretensão de um jovem de se declarar escritor em pleno século XXI e em um país de iletrados. Os erros não param aí: o autor poderia ao menos escrever sobre auto-ajuda, ocultismo, fofoca, feng shui ou dicas de relacionamento. Não, o pobre insiste na literatura. Consome dez anos em um livro, tão sonhador quanto o personagem principal, tão afastado da realidade quanto aquele que delira em coma. Ousa experimentar, mistura texto e arte visual, procura a dicção dos sonhos, e apesar dos pesares, acredita que a arte está viva. Falando um pouco mais sério, Puro enquanto já começa sob um certo fracasso. Ganhei uma bolsa para realizá-lo – o PAC, Programa de Ação Cultural - mas o livro estourou o orçamento. A vontade de inovar custou caro, e mesmo com patrocínio, estamos no vermelho. Isto significa que, se eu não contar com o prestígio de vocês, simplesmente não vou poder lançar voos semelhantes no futuro. Quem é da área sabe o quanto é difícil convencer um editor a correr riscos, e se o livro não chegar aos leitores, meus próximos projetos não vão deslanchar. Peço, humildemente, para que me deem uma força da maneira que puderem.


Compareçam, tragam amigos, divulguem, participem.
Grande abraço para todos e até logo!

7.09.2009

Uma mensagem amiga

Veio em boa hora esta mensagem. Obrigado, Aline, eu tava precisando de um pouco de confiança pra encarar o que vem pela frente.

Ivan

Cara, acabei de ler o livro. MUITO BOM! Eu sei q não sou nenhuma crítica literária, mas também sei que livros não são escritos para críticos e sim para pessoas como eu! E eu digo que para me prender eu tenho que gostar muito do livro. E eu digo "GOSTEI! MUITO!" Me apaixonei pela maluquinha da Michele (confesso que já entrei em um ônibus só para ver onde ele ia, e o que ele me mostraria. E adorei o tanto de palavrões que ele fala, porque é assim que a gente fala (ou pensa!). E adorei entrar nos sonhos pirantes que as vezes parecem com os meus e outras nem tanto, mas que se eu pudesse lembrar de todos meus sonhos sei que seriam loucos assim.
E gostei da segunda chance dele ter vindo do amor puro, porque é isso que nos salva.
Muito bom trabalho!!!! Espero ver em breve outros livros! novos e os já lançados também.

Aline OS

12.11.2008

Imagens de Puro Enquanto


Meu próximo romance, "Puro enquanto", já está na editora há algum tempo. Agora é com o pessoal da Annablume, não sei quanto eles levam para resolver a papelada e mandar para a gráfica... Eu queria lançar ainda este ano, mas no momento, o máximo que posso fazer é mostrar algumas imagens para vocês. Estão no meu novíssimo Flickr, é só clicar.

Os títulos das pinturas se referem sempre a um trecho do livro. É um bom jeito de obrigar os malditos especialistas a considerarem o contexto que eu estou criando, em vez do contexto deprimente da arte contemporânea, onde a pintura está sempre à beira da morte. Não tenho problemas em admitir que escrevo melhor do que pinto, por outro lado, a tabelinha que estou fazendo entre minha pintura e minhas palavras é afinada o bastante para resolver certos impasses da arte contemporânea. Há muitos pintores melhores do que eu, mas os detratores são tão obstinados que nem mesmo a reencarnação de Miró bastaria para tirar a pintura do mal-estar em que se encontra no atual panorama.



Eu quase desisti das artes plásticas, não escondo que me sinto melhor entre escritores do que entre artistas visuais. Felizmente ou infelizmente, entendi que não poderia fugir da briga: ao escrever "Puro enquanto", ficou claro que o livro não funcionaria se eu empregasse apenas a linguagem verbal. O próprio ritmo do livro pedia por algumas interrupções no fluxo de pensamento, intervalos significativos, que só as imagens poderiam criar. Terminado o livro, vi que, tanto quanto meus artigos mais "militantes", ele é uma ótima prova de que a pintura ainda é necessária, impossível de se substituir. Não é imodéstia dizer que emprego as palavras com muito mais radicalidade do que os artistas conceituais, e em "Puro enquanto" isto fica tão evidente quanto o corolário: a linguagem verbal e a linguagem não-verbal se complementam, não podendo uma eclipsar a outra. Mesmo que se vá ao limite da fala ou da escrita, ainda há uma sede pela imagem que a arte conceitual jamais poderá aplacar.

10.20.2008

Entre o agora e o nunca

Prefácio de Puro Enquanto, por Yudith Rosenbaum.

O que ocorre durante o estado de coma de alguém que tentou se matar ao saber que foi traído?
É em torno desse núcleo, construído entre a vigília e o devaneio, que se organiza a trama de Puro Enquanto. O tema da traição, de tão longa tradição na literatura, ganha aqui um tratamento singular, visto pela perspectiva madura de um jovem autor, interessado em devassar o submundo das paixões, descortinar a nebulosa das convenções sociais, revelar – com uma linguagem cristalina e potente- o que se esconde sob o verniz da hipocrisia social.

Para isso, Hegenberg não poupa o leitor e o convoca a uma jornada multifocal: o sono acordado do protagonista é o plano onde se entrecruzam um narrador em terceira pessoa, que cede sua voz ao discurso indireto livre da personagem, marcando uma oscilação constante entre quem vive e quem conta. Ora o sujeito em coma é visto de fora (talvez por ele mesmo, travestido em narrador onisciente), ora por dentro, trazendo ao vivo sua mistura de sensações antagônicas, fantasmas, visões, insights.
Essa trama de vozes acaba por revelar um protagonista ressentido, fracassado, algumas vezes paranóico, agoniado de amor e ódio contidos. Dividido entre a paixão pela infiel Larissa e a amizade apaziguadora de Michele, ele relembra e funde cenas infantis e atuais, compondo um retrato duro e desencantado da vida urbana contemporânea, tocada por uma sensibilidade singular:

O bípede-homem passou o dia inteiro andando, agora precisa dormir. Desde que o sol se levantou até depois do início da noite, nada mais fez do que trabalhar e caminhar - por todas as ruas, pelos shoppings, comprando coisas, pagando contas, resolvendo problemas. Essa inepta matéria viva em forma de gente abusou das pernas, precisa do repouso, e por isso se aninha, encolhe os membros, para que a realidade externa se desacelere e permita um pouco da dulcíssima magia do sono. Sabedoria atávica do sono. A energia recomposta se aconchega como um segundo cobertor, e ele suspira, feliz como um gato ronronando.

Como se vê, não há apenas crueldade nesse narrador rejeitado pela volúvel Larissa, assediado por uma mãe lasciva (o aspecto incestuoso do romance é explícito) e um pai a quem dedica a sede de vingança. Também de indulgência e poeticidade se faz o olhar desse personagem, tão bem construído por Hegenberg. Aliás, a prosa tende ao poético a tal ponto que as frases discursivas vão perdendo referencialidade para assumirem a poesia como fundo primordial da narrativa:

Fogos de artifício são gritos coloridos para a cidade inteira ouvir
Uivos de lobos se harmonizam com a celebração
Os raios que rasgam ao vento são como veias mostrando que
mesmo no invisível circula sangue
O mar incrivelmente dourado
sereno como o mais límpido céu
O céu turbulento treme
como ondas marítimas em dia de fúria



O relato se compõe, também, em diálogo com a linguagem plástica - são pinturas do artista/escritor, entremeadas ao longo do enredo. Da abstração ao figurativo, as telas acompanham o emergir do sono à vigília. Palavra e imagem buscam espaço num mundo corrompido e ameaçador, onde o sujeito se encapsula para sobreviver. Na contramão de uma suposta ordem regrada da vida, violência e erotismo (mais fantasiados do que atuados) desagregam a face plácida das coisas. E para alertar-nos da atualidade desse universo fechado e sufocante, o texto se faz quase todo no presente do indicativo, “puro enquanto” de um tempo absoluto.

A prosa urbana de Hegenberg se mostra afiada, pulsante e promissora de um lugar forte na narrativa brasileira. Um romance para mostrar que Esta é a metrópole dos altos papelões enrugados. A noite jamais tem estrelas. Escuridão monocromática, apenas.


Aguardem. Agora só falta diagramar e imprimir - o tempo é curto, mas vou tentar lançar ainda este ano.

8.28.2008

Orelha de Puro Enquanto

Por Fernando Bonassi


Por enquanto é isso aí... Aqui...

Isso tudo, aliás, é puro enquanto! Por mais que queiramos permanecer...

O tempo passa com essa velocidade de arrepiar. Chega a dar vertigem na paisagem!

É também uma miragem. Há muitos sonhos maus, esperanças desfeitas e mal estares por baixo de toda essa sacanagem consentida...

Então vêm esses malditos pesadelos, amores e autores que nos ensinam aquilo que não gostaríamos de saber. Aliás, é duro de entender quem é mentira enquanto a realidade é produzida pelas agências de propaganda da verdade, onde os produtos humanos exibem esnobes os seus rótulos, mas escondem o prazo de validade. Puro Enquanto faz um ruído no disco do moto contínuo; é um ponto de desencontro com aquilo que viemos nos fazendo...

Assim, puro enquanto é também um rito de passagem para uma outra coisa. Uma crise que seja. Uma espécie de viagem com destino incerto, o certo lugar dos infernos de nós mesmos.

Puro Enquanto deixa esse cheiro esquisito, meio novo e meio antigo, meio fóssil e meio sintético, bem fedido na garganta...

Puro Enquanto é uma caixa de esgoto, ressonância ou de segredos, travestida de armário de cacarecos. É esse desalento desgraçado, embalado por ironias impagáveis. O preço, no entanto, está fechado e acertado com o editor e o livreiro. São mentiras cristalinas, deslavadas e pagas com dez por cento das favas amargas na conta corrente do autor.

Deve, é claro, dar um tranco, ou um treco na mente dos contentes obscuros.

Tem uma coisa masoquista muito sádica também, como convém a quem leu Dostoiéviski desde criancinha.

É uma coisinha diabólica que invoca o próprio diabo mais invocado para esclarecer. O esclarecimento que ele tem, ou dá, no entanto, pode ser duvidoso. É incômoda a poesia do desconforto!

Escrever pode ser gostoso, mas viver é que é perigoso. E Ivan descreve a nossa ignorância muito bem.

Puro enquanto é isso aí, ou aqui... Cada um sabe o que faz... Ou deixa de fazer, mas leia atentamente o que eu te digo: se segure pra torrente desse livro.


Fernando Bonassi é escritor, dramaturgo, roteirista e gosta muito da pegada do Ivan.

Obs: Puro enquanto está quase pronto. Se tudo der certo, sai no final do ano.