5.20.2009

Três grandes passos em um só dia

Ontem foi um dia de grandes transformações em minha vida por três motivos:

1 - Fui à gráfica acompanhar a impressão do meu livro. Até que enfim, estão rodando! A Yangraf programou a impressão para a uma da manhã, e lá estava eu, naquela fria madrugada paulistana, passando coordenadas para os técnicos. Não é obrigação do autor esse tipo de acompanhamento, mas faz uma boa diferença calibrar a saída de cores. E fiquei feliz de estar ali, como um pai na sala de parto. Os técnicos foram muito gente fina, e apesar do barulho infernal de dezenas de prensas trabalhando, a gente se entendeu bem. Acho que eles se envolveram com o projeto para além da mera obrigação. Agradecimentos especiais ao Ninja, que chefiou a máquina onde o livro foi gerado.

2 - Eu tenho escrito artigos para a revista Leituras de História. O último texto foi sobre Guerra Civil Espanhola, e entre os próximos estão a Segunda Guerra Mundial e a vida de Constantino. Pois foi lendo vorazmente sobre Constantino, ontem à tarde, que eu tive um lapso de lucidez, encaixando peças em um quebra-cabeças que há muito eu queria entender. Sempre achei estranhíssima a conversão de um imperador romano ao cristianismo, deflagrando a maior reviravolta da cultura ocidental. Em um post rápido não vou conseguir explicar o que andei estudando e pensando, só vou falar por alto. Ao que parece, nem Constantino se converteu plenamente à religião daquele que os romanos pregaram na cruz, nem estava usando o cristianismo apenas pragmaticamente, como querem outros, a fim de dar coesão ao império. Para se chegar a uma resposta mais sofisticada, é preciso captar tantas sutilezas que ao final o que se tem é uma percepção muito rica de como nos tornamos o que somos hoje. O que é bacana entender é que a passagem da cultura helênica para a cristã não foi tão brusca quanto parece. Continuo preferindo Dionísio aos santos católicos, mas uma coisa é a História da Europa, e outra as histórias do Olimpo.

3 - Já que ando me inspirando nos antigos, resolvi levar a sério o ideal de mente sã em corpo são. Vamos admitir: levantamento de copo não é esporte - mesmo que mate a sede, te mantém sedentário. Com isso em mente, eu comprei pela internet um saco de boxe, para dar umas pancadas nos momentos de stress. Talvez seja mais importante publicar um romance ou estudar a genealogia da nossa moral, mas se eu não tiver onde descarregar a tensão, não há exercício mental que dê conta. Faz tempo que eu quero um saco onde desferir uns socos, e até que enfim tomei juízo. Encontrar o equipamento completo em promoção no Mercado Livre me pareceu quase tão revolucionário, em minha vida pessoal, do que os outros dois passos.

Lançando livro, estudando Constantino ou distribuindo socos: nos três casos, é um novo Ivan que se apresenta.

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