8.11.2008

Repercussão do Portal Solaris

O Portal Solaris, de que eu falei há 3 posts atrás, vem ganhando um monte de resenhas e menções neste amálgama revolucionário que é a internet. Vou passar para vocês alguns links.

Um dos primeiros que saíram foi o texto do Roger Silva, integrante da coletânea, que explicou muito bem do que se trata nossa empreitada e juntou depoimentos de todos os autores:
http://www.rogerssilvaoriginal.blogspot.com/

O Romeu Martins, que já tinha resenhado meu romance, caprichou mais uma vez, como você pode ver no Overmundo:
http://www.overmundo.com.br/overblog/ficcao-cientifica-semestral

Temos também um texto curto no Universo Fantástico, um dos blogs mais conhecidos pelos fãs de ficção científica e literatura fantástica:
http://universofantastico.wordpress.com/2008/08/05/revista-portal-solaris/

No Le Monde Diplomatique Brasil a análise do Fábio Fernandes se prova aguçadíssima, ele que soma uma erudição impressionante de sci-fi com um pensamento pós-moderno:
http://diplo.uol.com.br/2008-08,a2563

E, para finalizar, o texto do meu caro Ronaldo Cagiano, que ainda não foi publicado em nenhum lugar, mas terei a honra de ser o primeiro a postar. Segue abaixo:

A edição de Portal Solaris, mais uma jornada pelo universo da literatura catapultada pela nave criativa de Nelson de Oliveira, responde não apenas à demanda de leitores que buscam novos parâmetros narrativos, mas à necessidade de nós, terráqueos, de tirar um pouco os pés do chão e navegar pelos espaços insondáveis da ficção. E os textos desse número inaugural são pura fricção. São trajetórias em que os autores dialogam com mestres como Aldous Huxley, Ray Bradbury, Orwell, Anthony Burgess, Eric von Daniken, Murilo Rubião e Asimov, com direito a uma visita ao mistério e ao suspense, com direito a uma carona com Hitchcock, Orson Welles, Hammett, Conan Doyle, Agatha e Zé do Caixão. Nada de trash, nem de kitsch. Aqui o que prevalece é o cult sem esnobismo nem hermetismo. A gente é convidado a penetrar mundos que se interagem e a viagem é pela Via Láctea de uma linguagem permeada de sutilezas. Esses autores e tantos outros de ontem e de hoje que optaram pela fantasia, pelo absurdo, pelo supra-real — nas fronteiras galácticas do inominado — não o fazem por mera fruição, mas por conta de uma atitude estética que contribui para suportar a carga de realidade, visceralmente danosa, a que estamos submetidos, seja pela violência cotidiana do mondo cane, seja pela acintosa banalização da vida e da morte, que pode ser medida pelas balas perdidas que não poupam inocentes, ou pela mercantilização da mediocridade dos Big Brothers e das novelas globais. Viver no mundo da lua, realizar um trânsito onírico, recorrer ao hiper-fantástico, numa simbiose entre a ficção científica e a alta literatura, é o que esses dez autores proporcionam ao leitor. Essa extrapolação cósmica contempla todas as dimensões, oferece experiências com o desconhecido: não é apenas um salto no espaço da criatividade, mas um mergulho dialético nas dimensões infinitas e nas amplas possibilidades de comunicação. As histórias contadas por geraldos, ivans, carlos, ataídes, robertos, nelsons, homeros, rogers e mayrants transportam-nos às galáxias do pensamento individual, mas se fundem numa cauda de cometa, nebulosa de signos, imagens e sensações, que nos transportam ao planeta da fantasia, esse território em que podemos ser verdadeiramente livres. Adentremos esse portal de sensações metafísicas, de prazeres literários, de êxtase da consciência. E aguardemos as próximas estações orbitais, onde ancorará essa nave com novos nomes e textos, para deleite e delírio dos que entendem a literatura como um sagrado compromisso estético com a realidade, seja ela tangível ou virtual, porque só por meio dela, como afirmava Borges, é possível realizar verdadeiramente “a revanche da ordem mental contra o caos do mundo”. E como ele mesmo diz em seu Evangelho apócrifo, “a porta é a que escolhe, não o homem”. Então, já fomos escolhidos, abduzidos, arrebatados rumo ao desconhecido, porque é da vocação humana rumar ao sem-fronteira. E sem vertigens nos encontraremos em algum lugar desses espectros.

Ronaldo Cagiano
Autor do Dicionário de pequenas solidões (Língua Geral)

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