1.15.2008

Sem lugar

Caros senhores
marxistas, psicanalistas, taxidermistas e formalistas
Quem disse que quero ser compreendido?
Eis a grande diferença entre L'enfant le terrible
e a quase totalidade dos outros artistas
de nossa época tão cautelosa

Os demais querem se encaixar
em uma prateleira específica:
Se não é arte de massas é erudita
mas quem aqui suporta não saber o lugar?

Eu sou filho de psicanalistas
Um privilégio e maldição
Aprendi cedo que os gestos só seriam meus
Se ludibriassem os especialistas
E ultrapassassem a interpretação

Tudo que pode ser compreendido
Pode também ser controlado

Resigno-me a correr os mesmos riscos
Das criaturas mais malditas
Temidas por não se encaixarem em programa algum
Tampouco "naquela revolução"

Nem pró
Nem anti
Nem sub
Nem pseudo

Depois de muita vida
Depois de muita filosofia
A única honestidade que conheci
é a de não se permitir
reduzir-se a um objeto

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